Lady Gaga Para A Edição De Janeiro Da V Magazine
- ladygagaportugal
- 10 de jan. de 2016
- 12 min de leitura

Foi divulgada nesta última Quarta-Feira (06/01) a entrevista completa da Lady Gaga para o ator James Franco, que faz parte da edição de Janeiro da V Magazine, que chega ás bancas nesta Quinta-Feira (14/01), 16 capas diferentes, que terão como destaque a Gaga e outras pessoas que segundo a cantora, tiveram um papel fundamental na sua moda e estilo, como o falecido Alexander McQueen, Karl Lagerfeld e Hedi Slimane.
Vamos falar sobre essa sessão fotográfica.
Então, o que eu fiz aqui foi: o meu amigo Chadwick instalou-nos e fotografou dentro de uma casa que nós alugamos e foi como um verdadeir American Horror Story. Uma favela de American Horror Story. Nós não fizemos poses nem nada do tipo. Nós improvisamos por, tipo, cinco horas. Nós só criamos personagens e atuamos no espaço. Foi baseado em parte por Um Eléctrico Chamado Desejo (filme norte-americano de 1951), mas vagamente, e nós só criamos os nossos próprios espaços dentro da história. Foi só um lindo dia e nós tiramos essas lindas fotos. Então, (a maioria do elenco de American Horror Story): Kathy Bates, Wes Bentley, Chloë Sevigny, Finn Wittrock, Cheyenne Jackson, Angela Bassett, Matt Bomer, e Denis O’Hare. Eu só pedi que todos esquecessem que as câmaras estavam ali, por um tempo, e ficarmos lá juntos. E nisso Chadwick foi realmente documentando tudo enquanto nós estávamos a fazer uma peça ao vivo. Nós passamos algum tempo a falar sobre isso nos nossos trailers do lado de fora, e quando nós entramos, nós caímos, mais ou menos, de cabeça nisso. Foi maravilhoso como aconteceu. Todo a gente reagiu diferente a isso. Eu pedi a todos para melhorar o seu dia de folga. Nem toda a gente estava animada imediatamente. Eu tive que trabalhar muito com eles para explicar, e assim que chegamos lá, toda a gente juntou-se e aconteceu tudo tão naturalmente e fácil e essas lindas fotos aconteceram.
Como Kathy Bates se saiu?
LG: Sabe, ela estava lá conosco. Quando ela chegou, no começo ela estava tipo "Eu não tenho plena certeza de como vamos fazer isso". E dai Wes começou a pular em cima da mesa da cozinha e ele estava a lançar facas pelo cómodo e a esfregar pizza na sua cara. Ela estava estiar a bandeira americana pelo cómodo, a bandeira... isso é incrível. Kathy só abriu uma cerveja e começou a beber e então do nada ela começou a falar, e ela era a nossa mãe, e eu era a sua filha, e Cheyenne e Wes eram os meus irmãos. Wes estava sendo inapropriado comigo, e ela estava a dizer a ele o porco que era. O que foi realmente incrível, foi ver que todos nós sentimos nos seguros o suficiente para recriar aquilo fora do estúdio, sem o programa. Mesmo que Ryan Murphy tivesse aparecido e ele estava lá connosco, parte do que eu queria mostrar com esse ensaio foi a camaradagem que nasceu desse programa e também para mim, como alguém que chegou e não estava no programa antes. Eles realmente me abraçaram como pessoa, e eu desenvolvi uma amizade realmente sólida com eles. Eles realmente confiaram em mim, vindo no fim-de-semana para fazer algo como isso, e resultou em alguma coisa que eu não acho - quero dizer, eu apenas acho que nunca foi feita antes.
Ryan Murphy procurou-te para o papel de Condessa em American Horror Story?
Eu estendi a mão para o Ryan e disse a ele que eu era uma grande fã do programa e que eu realmente queria trabalhar com ele. Ele basicamente só disse sim, imediatamente. Eu disse a ele que queria interpretar uma mulher forte mas perigosa. Nós começamos a conectar ideias pra lá e pra cá, mas a Condessa realmente tornou quem ela é depois de filmarmos os primeiros três episódios. Eu tinha uma ideia de que ela era forte, e eu pesquisei muito para faze-la tão completa dentro de mim quanto era possível, mas foi quando, ao longo do tempo, nós meio que íamos e voltávamos, para chegar em como ela seria dinâmica. Todo a gente estava meio que muito insistente que ela tinha vivido 100 anos e então ela era fria. Eu disse, "Eu sinto como se eu tivesse vivido 100 anos e eu não sou sempre fria. Às vezes eu sou bem vulnerável e louca, fraca e imprudente.
Ela parece solitária, com uma necessidade nela de se conectar.
Há um desejo insaciável que está por cumprir. Há uma série de paralelos entre a personagem e a minha própria vida. Através de 100 anos ela mudou muito. Tu aprendes sobre a maneira que ela era antes de se tornar má - ou o que as outras pessoas pensam como má. Eu vejo como prática. Ela precisa de se alimentar. Ela precisa sobreviver. Esse é só o jeito como ela existe, e é diferente de como ela existia antes. Então, o que acontece connosco, como humanos, quando começamos a mudar quem nós somos ou interrompemos as nossas personalidades ou as nossas almas para sempre? O que são essa instâncias e o que acontece quando elas ocorrem? O programa faz-te fazer perguntas sobre o bem e o mal - por que o hotel é um lugar mau e tanto, mas quando tu te vês o que todos estão passando dentro dele, não é tão longe do que todos nós passamos. O que você estaria disposto a fazer para sobreviver? O que você estaria disposto a fazer para ser feliz? Desse jeito, não é tão difícil de se relacionar com um drogado ou alguém que não pode viver sem uma agitação.
De algum modo é paralelo com o que você fez em videoclipes.
Eu consideraria qualquer coisa que eu fiz nos meus videoclipes como sendo a Condessa. Eu não sei se Ryan Murphy é, mas eu tenho certeza que eu mesma sou, em alguns aspectos, inspirada pelas coisas que eu já fiz. Em alguns paralelos tu podes chamar exatamente, especialmente quando se está a fazer fantasia. Então, a minha inspiração para quando eu mato na série é espantar uma mosca. Eu já espantei uma mosca antes. Eu nunca matei alguém com facilidade ou sem nenhum esforço - eu nunca matei ninguém de qualquer jeito - mas eu já espantei um mosca e provavelmente fiz parecer que não importava para mim. Outras vezes eu espantei uma mosca e senti-me muito mal sobre isso e foi uma coisa grande e eu tive o meu momento.
Então tu achas que a tua atuação e tua música são interpretadas diferentes?
Eu realmente não tenho um conceito de como as pessoas estruturam o meu trabalho.
Tu não lês nada a respeito?
Eu vejo artigos e coisas assim, mas eu não sei se acredito que isso é exatamente como as pessoas interpretam o meu trabalho. Quem pode dizer como as pessoas vêem? Eu passei todas as minhas manhãs e noites a aprender as minhas falas, fazendo elas entrarem no meu corpo, e então tentando deixar elas voarem o máximo possível na tela, sabendo muito bem que eu não estou nem perto de ser tão completa quanto qualquer um nesse show. Eu apenas preciso confiar no meu amor e na minha paixão por atuar. Quem sabe se as pessoas vêem como diferente da minha música? Eles podem achar que não é bom, podem achar que é, eles podem achar que é melhor que a minha música, ou pior do que ela. É difícil dizer se eu poderia saber, ou talvez até ligar. Eu preciso fazer e ser isso ou eu vou acabar por morrer, acho eu
Eu vi a tua participação na série Sopranos. Tu já atuaste antes?
Oh isso é terrível. Eu frequentei o Lee Strasberg Institute desde que eu tinha 11 anos. Eu estudei muito métodos de atuação.
Como é que tu entras no personagem?
Eu estudo as minhas falas em toneladas. Essa é a primeira coisa. No caminho para o trabalho todo dia, quando eu estou a ir para o estúdio, eu tenho algumas coisas que me lembram da Condessa – as suas roupas e as redes de cabelo ou até maquiagem e essas coisas. Eu só coloco a minha maquiagem e faço o meu cabelo igual ao dela e escuto as músicas que me lembram dela, dependendo de qual século e década estamos. Eu tenho várias músicas diferentes que escuto. Então no meu caminho para o trabalho eu meio que me torno ela. Eu vou ao set ensaiar, e então eu volto e coloco a minha peruca e as minhas roupas. Essa é meio que a última coisa. Isso é totalmente irrelevante para mim, as roupas. Eu sei que parece uma grande coisa e uma grande parte disso, mas eu passei muito mais tempo praticando como eu ando e as coisas que eu digo. Eu também passo muito tempo a relaxar entre as tomadas e antes de eu entrar em cena. Eu quase medito. Eu tenho que entrar lá e esquecer o que eu aprendi e apenas falar. Como com a Chloë (Sevigny) - ela é a minha amiga e nós estamos sempre a rir antes de eles gritarem "gravando" (mas ai) é como se nós tivéssemos jogado tudo pela janela e nós simplesmente sintonizamos os nossos papeis. Nós só estamos a ouvir uma a outra. É engraçado. Tem sido importante para mim como pessoa porque - Eu tenho a certeza que tu entendes isso porque tu és famoso - 90 por cento das interações que tu tens com seres humanos, não é como se eles ligassem de verdade para ouvir sobre ti ou algo do tipo. Quando o teu trabalho é ouvir e ter outras pessoas que te ouvem, é essa coisa mágica e romântica que tem sido ótima para mim. Eu tenho conversas reais o dia todo, e é o meu trabalho entender como ouvir e ser honesta. E eu nem sei se sou boa. Eu só sei o que eu estudei na escola - eu frequentei a Tisch, também. Eu sou uma total nerd por teatro. Eu li Stanislavski e tudo isso. Mas o ponto de partida é que eu tive alguns generosos atores disponíveis para mim no set.
O que aprendeste com eles?
Tudo. É só o que faço, aprender o que eles me ensinam. (risadas) Eu estava envergonhada no começo. Eu não queria improvisar, ficar a vontade e arriscar com todos esses ótimos atores como Kathy Bates. Tipo, quem sou eu? Eu sou tipo, alguma pop star. Eu não vou fazer isso. Eu vou lá dizer as minhas falas como uma boa menina e ir embora. Então, com o tempo, tu sabes, as coisas começaram a mudar. Eu fiz uma cena de amor com o Matt Bomer, e não estava no roteiro para nós fazermos sexo no final da cena, mas nós simplesmente começamos a fazer sexo. Foi muito louco, mas ele é meu amigo. Nós estávamos a rir depois, nós não planejamos. Foi só a maneira como nós dissemos as falas um para o outro, nos levou aquele lugar. Toneladas de liberdade no set. Quero dizer, no primeiro episódio, algumas das minhas falas foram bem ensaiadas. Lá pela minha terceira cena eu comecei a ficar ousada. (risadas) Haviam pontos altos o tempo todo - pessoas a matarem por amor - então eu e os membros do elenco estávamos sempre a enfrentar os diretores e criadores e os escritores sobre quanto física ia ser a cena.
Então eram vocês que estavam a tentar aumentar o fogo em vez do contrário?
Ah sim. Não são os directores a dizerem-nos. Nós estamos a dizer a eles, com certeza. Por que parece uma injustiça para os personagens terem que ser bonitos e seguros. Parece que temos que ir atrás para que seja compreensível para o vício de alguma forma por que o vício não é bonito. O vício é aterrorizador, mórbido e provocativo. Isso é muito sobre o que nós estamos falando.
Uma das coisas que eu realmente admiro sobre ti é que tu tens a habilidade de puxar essas diferentes esferas juntas: música e arte, atuar e performar...
E moda.
E moda. Então quando tu decidiste que querias atuar num programa que ganhou um Emmy, com atores que ganharam Emmy's, como é que lidaste com a…
A pressão?
É, a pressão. O ceticismo.
Eu acho que nenhum artista deve se identificar com um meio mais do que o outro. Eu acho que está tudo bem e lindo em ser estudado em muitos meios. Eu suponho que eu simplesmente não ligo porque eu amo tanto e nada poderia valer mais do que alguém acendendo o fogo da minha paixão. Eu sei que tu sabes que, tu passas por limitações na tua carreira fazendo coisas que não te fazem sentir completo e uma parte de ti morre. Quando tu começas a trabalhar em algo que tu te sentes vivo novamente, nada pode valer mais do que isso. Eu só estou tão viva. Eu vou para os ensaios com os meus jeans e minha camisa com os meus atores e nós entramos lá, nos sentamos e falamos sobre as cenas. Eu sinto como se estivesse na escola de novo, só que é melhor porque eu odiava a escola (risadas).
Eu lembro-me de quando nós estávamos na festa de natal do Klaus [Biesenbach], tu estavas a falar sobre ser muito criticada por uma colaboração com o Jeff Koons (na capa do ARTPOP).
Quem sabe? Eu poderia ter-lhe dito inúmeras coisas. Eu podia ter-te dito algo. Mas agora que eu me lembro disso, eu não sei se alguém já criticou a minha colaboração com Jeff – (eles estavam), provavelmente, só críticos sobre mim, ponto. Eu suponho que tu passas por ondas disso na tua carreira e que tu aprendas com ela. Tu passas por uma adolescência. Eu acho que eu apenas passei por esse tempo. É um choque forte no começo. Tu sabes, eu importo-me tanto com o meu trabalho, então quando as pessoas falam coisas más sobre os presentes que tu fazes – os pequenos presentes de arte – só faz te sentir mal. Alguns de nós somos sensíveis... Mas eu fiquei mais durona com o passar dos anos. Eu apenas sigo a minha intuição como artista. Coisas que eu quero fazer e acredito, eu faço-as totalmente. Tu sabes, quando eu fiz o The SoundOf Music (tributo no 87 Oscar), eu só estava a estudar aquela música. Eu disse pra toda a gente que eu trabalhei com aquilo e que eu não poderia fazer aquela performance a menos que eu tivesse total disciplina e foco. Eu não posso vender nada enquanto estou a fazer isso. Quando tu te comprometes a tua vida a fazer música ou arte, tu também podes te comprometer a fazer dinheiro. Um comprometimento com o dinheiro é – significa que tu estás a dançar com o diabo. Isso significa que o que tu estás a fazer está relacionado a fazer dinheiro. Eu só acho que é bem melhor não fazer isso – então tu não precisas-te sentir mal pelo que tu fazes. Tu podes te sentir tão orgulhoso disso, de cada performance, de tudo.
Tu estás a trabalhar num novo álbum?
Sim, eu escrevi muito durante o ano passado. O programa realmente afetou a minha voz, eu devo dizer.
Como assim?
Eu estou usando minha escuta de atuar mais nas minhas músicas, o que é crucial, porque é música. Quem sabia que podia ouvir ainda mais? É incrível até mesmo falar. Há uma enorme liberdade e uma imprudência, mas há também uma sofisticação na série. Há muita libertação, mas é uma libertação muito chique. Aqui está o que eu vou dizer: quando eu não estava trabalhando na série eu era verdadeiramente miserável porque eu não tinha um lugar seguro para libertar qualquer um dos meus vícios. Agora eu tenho um lugar seguro para os meus vícios, então quando eu estou fazendo música eu tenho muito mais clareza. Tenho um pouco menos de um instinto para ser imprudente com a minha música, porque agora eu sou imprudente em outros lugares. Então agora eu estou pensando mais sobre o que é que eu quero dizer e o que eu quero deixar na Terra. É menos uma expressão de toda a minha dor. Haverá um pouco da minha dor no álbum, com certeza, mas será mais do que isso. Meu último álbum estava cheio de uma tonelada de dor. Aquele álbum inteiro. É quase como se você não pudesse mesmo chegar ao que era. Agora, a série me dá uma saída para colocar as coisas em algum lugar, então quando eu chego até o piano eu já estou em um lugar mais profundo. Eu tenho algo completamente diferente para explorar.
Atuar envolve muito mais colaboração.
Quando eu estava me apresentando com Tony hoje, - eu estava me apresentando com Tony Bennett no Lincoln Center e eu estava cantando minhas músicas – eu podia sentir a mim mesma realmente revisando meus pensamentos enquanto eu estava cantando a música, enquanto também improvisava. Apenas tomando um passo adiante. E eu sabia que era de atuar. Quando eu estou atuando é o mesmo tipo de coisa: eu estou preocupada, eu vou começar a cantar no meio da cena! Eu tenho medo de desviar para o meio errado ou que minha voz vai soar... Afetada.
Você vê as musicas como personagens, ou essa é você?
Assim, elas são todas eu. Eu vejo a Condessa como uma parte de mim. O que eu sou como pessoa é uma mistura de mim mesma, Stefani e Gaga. A Condessa é tudo em uma.
Quando você veio ver minha peça na Broadway, Of Mice and Men, dois minutos depois de a cortina subir, eu ouvi uma agitação da multidão. Eu acho que você entrou usando uma linda roupa e um chapéu enorme. Fez-me pensar: eu não sei se você está sempre on – e de algum modo se você pode evitar. Se você é uma figura pública, em certo ponto, as pessoas só projetam você. Sua pessoa pública começa a se misturar com quem você é. Eu e você podemos pensar que nós sabemos quem somos no privado, mas aquela persona pública – se torna sim uma parte de você. Você é um exemplo central de alguém que segue seus instintos, mas sua persona pública é tão grande que você não pode evitar ter uma grande estampa em sua vida.
Eu já disse antes. Tudo que eu criei de mim mesma é uma coisa que eu fiz para me curar de um tipo de particular de dor que eu sempre senti que era ajudada por coisas criativas. Não é só uma grande parte de mim, mas é uma parte de mim que me faz inteira. Realmente e verdadeiramente. Eu não poderia sobreviver sem a Lady Gaga, que é o que eu sou. É a coisa que me fez forte e me ajudou a sobreviver. Eu ligo muito pra isso, não é separado. Mas quando eu saio, eu tenho uma escolha? Claro que eu tenho uma escolha, mas eu escolho não esconder o que eu sou. Eu posso sair de jeans quando eu quero, mas eu tenho que dizer, para alguém como eu, não é muito divertido sair quando você sente que tem que esconder quem você é. É como se fosse contra tudo o que eu defendo.
Confere os scans das 16 capas da edição especial da V Magazine, clicando aqui ou em uma das miniaturas em baixo, onde serás redirecionado (a) para a nossa galeria.







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